[SCADA] A Evolução dos Sistemas Supervisórios – Parte 2

Publicado: 18/03/2012 em Programação, Supervisório / SCADA, Tecnologia
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NOVAS ESTRATÉGIAS E DIREÇÕES 

De forma distinta ao ambiente dos anos 80/90, os novos desenvolvimentos das empresas de sistemas de supervisão estão não só ligados à disponibilização de novas tecnologias e requisitos dos usuários, mas também às estratégias de suas empresas controladoras.

Além disso, mais uma vez as conseqüências dos investimentos realizados em Tecnologia da Informação durante o “bug do milênio” também estão direcionando os atuais investimentos. Isso por que as grandes empresas investiram maciçamente na implementação de ERPs com o objetivo de solucionar todas as questões “transacionais” da corporação e tais investimentos absorveram boa parte de sua capacidade em adotar outras tecnologias de gestão. Com a consolidação dos ERPs em suas operações e a constatação de que os mesmos não resolvem vários problemas de gestão, e em particular os relacionados à Gestão de Manufatura, volta-se a ter interesse em ferramentas específicas para esse tipo de processo.

Algumas vertentes de desenvolvimentos são listadas abaixo:

a) Gerenciamento de Informações O foco do mercado de Gerenciamento de Informações é transformar a massa de dados existente no chão-de-fábrica em informações valiosas para a tomada de decisão, desde Gerentes e Diretores de operações (MES) até Supervisores e Engenheiros de Processo (PIMS) – embora esta seja uma fronteira tênue.

a.1) PIMS – Plant Information Management System

Com o sucesso obtido por empresas independentes no desenvolvimento de softwares historiadores (PIMS), alguns fornecedores de sistemas SCADA também buscaram brigar por esse mercado lançando seus produtos desenvolvidos internamente ou através de aquisições – surgindo uma nova leva de produtos. Entretanto, o mercado de PIMS está muito ligado a Processos Contínuos de manufatura, onde tradicionalmente outras empresas fornecem sistemas completos de controle (SDCDs) – e cada uma destas empresas também conta com seu próprio PIMS, gerando assim um leque grande de opções para os clientes finais. É um mercado ainda em grande expansão, mas já bastante maduro.

a.2) MES – Manufacturing Execution Systems

Não é objetivo deste documento discutir a conceituação de MES, mas embora a mesma seja de alguma forma normatizada pela ISA, ainda há grandes discussões sobre a abrangência e o foco dos projetos de MES.

De qualquer forma os primeiros projetos de MES foram baseados no desenvolvimento de soluções “sob medida” para cada processo, embora softwares prontos e configuráveis começassem a surgir no mercado – principalmente no ambiente de manufatura discreta.

Hoje um cliente pode buscar diversas soluções de MES baseadas em ferramentas configuráveis, mas terá certa dificuldades em equalizar as soluções concorrentes, já que as mesmas diferem bastante em termos de funcionalidades, mercado alvo, estratégia e complexidade. Algumas empresas elegeram esse mercado como prioritário, e outras como complementar, sendo esta a razão de algumas das diferenças encontradas.

É importante reiterar que há uma organização internacional chamada MESA (www.mesa.org), que em 1997 publicou o primeiro paper definindo as funcionalidades gerais e o escopo de uma solução de MES. Em função da necessidade de conectividade com o chão-de-fábrica, a ISA publicou a ISA-95, que também define as fronteiras e escopo de projetos/ferramentas de MES.

b) Portabilidade

Outras empresas optaram por focar seu negócio na portabilidade de seus supervisórios, focando o mercado de OEM (Original Equipment Manufacturer). O mercado de Interfaces Homem Máquina (IHM) consome uma larga quantidade de “supervisórios” mais simples, incorporados ao equipamento. A Indusoft, por exemplo, tem se destacado nesse mercado e fornecido para diversos fabricantes de IHM. Mas esta é apenas uma parte do mercado; diversos dispositivos e “appliances” são potenciais consumidoras desta versão de “supervisórios”, fazendo com que o potencial de fornecimento seja muito grande. Ao contrário do item (a) acima, o foco desse caminho estratégico não é trazer mais valor às informações do chão–de-fábrica, e sim dotar diversos dispositivos simples de muito mais capacidade e inteligência.

c) Otimização / Reconciliação de dados

A otimização de processos (principalmente em processos contínuos ou semicontínuos), com o uso de modelos heurísticos ou de otimização pura, ainda é restrita a empresas especializadas embora os principais fornecedores de SDCDs já contem com ferramentas desse tipo. A Pavillion foi uma das pioneiras dessa classe de sistema, com bastante sucesso. Outras empresas de softwares estatísticos, como SAS, também transitam nesse mercado, mas sem um foco tão determinado.

Ainda não há um movimento importante dos fornecedores de supervisórios nesse mercado, apenas iniciativas marginais – mais uma vez, em função do foco estratégico destas empresas. Mas pelas características dos supervisórios, tecnicamente é relativamente simples adicionar uma camada de otimização sobre as ferramentas atuais – o que leva a crer que em algum momento próximo poderemos observar o surgimento de algumas ferramentas desse tipo.

d) Business Inteligence, Data Mining

Talvez por ser o mercado de automação um ambiente muito conservador (até em função das necessidades de segurança operacional que cercam um projeto), as iniciativas de BI e Data Mining ainda são tímidas – embora, na opinião deste autor, representem uma grande oportunidade de negócios e valor para os clientes.

Uma planta industrial é um ambiente bastante complexo, onde as relações de causa e efeito entre as variáveis são conhecidas – mas não completamente mapeadas. A análise de correlações entre variáveis de processo, problemas de paradas e qualidade, programação de produção e eficiência, ainda é tratada de forma segmentada com processos de gestão distintos.

O uso dos softwares de PIMS representa um importante passo no desenvolvimento de ferramentas estatísticas que, da mesma forma que os sistemas de BI, encontrem correlação entre problemas da planta e indiquem ações de melhoria de eficiência. Em uma planta de uso intensivo de capital, 1% de aumento de eficiência representa centenas de milhares de reais em ganhos.

e) Integração de plataformas de hardware e software

Um dos maiores custos de um projeto de automação é formado pelos serviços necessários para implementá-los. È natural que algumas empresas – principalmente aquelas fornecedoras de Hardwares (como CLPs) e Supervisórios – invistam na criação de uma plataforma integrada de configuração, supervisão e gestão. Assim surgiram vários produtos integrados, que compartilham a base de dados entre os controladores programáveis e os supervisórios, bem como o ambiente de configuração e supervisão, fazendo com que o custo do desenvolvimento de projetos (e sua conseqüente manutenção) seja reduzido.

f) “Best of Breed”

A contra-partida do item (e) acima é que uma nova geração de produtos especializados em nichos (de mercado ou soluções) vai surgir. São os produtos chamados “Best of Breed” ou “Best in Class”, que se por um lado não fazem parte de uma solução integrada, por outro oferecem benefícios similares se aproveitando dos avanços das tecnologias de conectividade hoje em curso e trazendo características peculiares a certos processos, que os faz apresentar desempenho ou qualidade superiores nos nichos em que se propõem a atuar. Isso envolve não somente os supervisórios, mas também outros produtos construídos ao redor do mesmo, e listados neste artigo.

CONCLUSÃO

Claramente o grande beneficiado por toda esta evolução tecnológica e estratégica é o cliente. O leque de opções é grande, a facilidade no desenvolvimento de projetos aumentou, o custo diminuiu, e a nova geração de desenvolvimentos vai trazer ainda mais valor às soluções.

O usuário deve sempre ficar atento ao fato de que 50% do sucesso de um projeto devem-se às ferramentas que ele escolheu, e os outros 50% da qualidade de serviços de implementação que ele contratou. Há muito tempo que isso é de conhecimento geral, mas a partir do momento em que se implementa soluções que trazem maior valor ao negócio do cliente e elementos que facilitem sua tomada de decisão, a análise do “negócio” e o impacto financeiro destas implementações se reveste de uma importância ainda pouco considerada. Uma nova leva de profissionais especializados em traduzir as necessidades estratégicas do cliente em projetos de automação e informação começa a surgir, agregando conhecimentos como eletrônica, software, automação e gestão de negócios.

A despeito de todos os problemas que o Brasil vive, existe algo para nos orgulhar além da qualidade de nosso futebol: o profissional brasileiro é muito mais aberto a novas tecnologias que profissionais de outras nacionalidades, o que nos permite dizer que podemos – por que não? – liderar a nova onde de aumento de eficiência em manufatura.

~\\|//~
 -(o o)- RODRIGO SILVA

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